“O Centro de Salvador tem mais de 100 casarões – todos tombados pelo patrimônio - com risco de ruir a qualquer momento, de acordo com levantamento da Defesa Civil. Os proprietários, por desinteresse ou falta de recursos, abandonaram os imóveis, que entraram em processo de deterioração. Muitos, como o Correio revelou, em março, estão ocupados por famílias pobres. Essa situação dramática - ameaça a vida de seres humanos e ao patrimônio histórico – não provocou maiores reações dos responsáveis pela conservação dos imóveis tombados e menos ainda dos representantes do Ministério Público. Na contramão desse desinteresse, as obras do Hilton Hotel, em casarões tombados no Comércio, são alvo de permanente atenção dos técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e dos procuradores federais na Bahia, que conseguiram, mais uma vez, interromper a obra.
Pelo projeto, o Hilton ocupará seis casarões históricos, garantindo a sobrevivência desse patrimônio e ajudando a promover a revitalização da área. Exemplos de sucesso na utilização de prédios de interesse histórico pela indústria hoteleira podem ser vistos em qualquer grande cidade da Europa como Paris, Roma, Londres, Lisboa e Praga, todas com séculos de civilização e tradição de conservação de seu patrimônio.
Aqui mesmo em Salvador, uma visita ao Convento do Carmo, transformado em hotel pelo grupo Pestana, revela a recuperação da edificação histórica e sua importância no desenvolvimento daquela área do Centro Histórico. Essas mesmas capitais européias provam que progresso e conservação andam juntos. A sobrevivência do patrimônio histórico depende de sua integração ao movimento e à economia da cidade. Aqueles casarões do centro estão praticamente irrecuperáveis exatamente porque ficaram abandonados, à margem do desenvolvimento de Salvador: hoje lembram morte e degradação. Patrimônio histórico deve ser sinônimo de vida.”