EMPRÉSTIMO PARA IMÓVEIS ALAVANCA CRÉDITO EM 2010

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Empréstimo para imóveis alavanca crédito em 2010

Empréstimo para imóveis alavanca crédito em 2010.
 
Os empréstimos para a compra de imóveis devem ser a grande vedete no mercado de crédito brasileiro em 2010, embora também exista a expectativa de significativa expansão de todas as outras linhas voltadas para pessoas físicas nos próximos meses. E o movimento deve ser ainda mais forte nas instituições privadas, que devem tentar retomar o espaço perdido para os bancos oficiais em 2009 – afinal, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal foram os principais fornecedores de crédito no País no período mais agudo da crise internacional.
 
Para a Tendências Consultoria Integrada, por exemplo, o volume de financiamentos imobiliários deve ter expansão de 35% na comparação com o ano passado – número próximo ao anunciado por grandes bancos privados na divulgação dos balanços referentes a 2009. Para a carteira de pessoas físicas em geral, a alta prevista pela consultoria é de 14,5%.
 
O economista da Tendências Alexandre Andrade atribui a expectativa positiva em relação ao crédito imobiliário ao fato de ainda existir muito potencial de expansão nesse segmento. Segundo ele, atualmente os recursos voltados ao financiamento de unidades habitacionais representam 6,3% do total de empréstimos para pessoas físicas – e isso em uma realidade de elevado déficit habitacional. Apesar desse percentual estar em franco crescimento, ainda é pouco significativo em relação às participações do líder crédito pessoal (correspondente a 36% do estoque) e do financiamento de veículos (20%).
 
Recursos livres – Há outro ponto interessante: a expectativa de aumento da demanda deve levar os bancos a diversificar as fontes de recursos. Eles tendem a deixar de usar apenas os "recursos direcionados" (que, obrigatoriamente, financiam imóveis) e passar a utilizar também os "recursos livres", que em outras situações iriam para modalidades de empréstimos com custo mais alto para os clientes. 
 
Para o especialista da Tendências, hoje cerca de 90% do valor destinado ao financiamento da casa própria vem do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Mantido o cenário positivo, a equação deve mudar significativamente neste e nos próximos anos.
 

Cenário positivo – A confiança dos consumidores brasileiros, que apostam na manutenção do emprego e da renda em 2010, justifica a aposta alta dos bancos: afinal, mais pessoas devem pensar em finalmente realizar o sonho da aquisição do imóvel, decisão sempre mais difícil em tempos de crise. "Esse quadro inevitavalmente acirra a concorrência entre os bancos, que devem tentar atrair mais clientes em 2010", diz Andrade, destacando que, nessa situação, os bancos podem pensar em reduzir os spreads (diferença entre o custo de captação dos recursos pela instituição financeira e o juro cobrado do tomador final). É preciso lembrar que o financiamento imobiliário envolve um contrato de longo prazo –  período em que o mutuário será cliente do banco de quem obteve os recursos, utilizando vários produtos e serviços oferecidos pela instituição e pagando por eles.
 

Risco menor – Na avaliação do economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, o fato de o empréstimo imobiliário representar menor risco é outro fator que reforça o interesse dos bancos por essa linha. "O cenário é positivo, mas as instituições financeiras ainda estão cautelosas com relação à inadimplência. Mas no caso do financiamento de imóvel existe uma garantia física, que o banco pode retomar em caso de falta de pagamento, recuperando parte da perda", observa.
 

Não é apenas com imóveis que as instituições financeiras pretendem ganhar neste ano. Os mesmos motivos que explicam as apostas no caso da compra da casa própria servem para a expectativa positiva em relação ao crédito em geral. Segundo a Tendências, o saldo do empréstimo pessoal deve aumentar 19% em 2010, enquanto as operações para aquisição de veículos deve ter avanço de 12,5%. Segundo Andrade, o temor de inadimplência, que ajudou a frear a oferta de crédito durante o pior período da crise no ano passado, hoje é menor, o que contribui para o ânimo dos bancos. Alguns chegaram a triplicar os valores disponíveis em linhas como empréstimo pessoal , cheque especial e cartão de crédito, mesmo sem solicitação dos clientes.
 

O único fato de preocupação está relacionado à possibilidade de elevação da taxa básica de juros a partir dos próximos meses, o que pode limitar um pouco a expansão do crédito. Mas, a não ser que a situação internacional piore de maneira significativa, 2010 promete realmente ser o ano do crédito no Brasil.

 
Fonte: Diário do Comércio
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